segunda-feira, 29 de março de 2010

Comadre Florzinha: Comadre Florzinha (1999)

A música de Pernambuco, parte 5: Cultura popular.
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Estamos quase chegando ao fim desta série sobre a música de Pernambuco. Seguindo a classificação do site Música de Pernambuco, venho hoje discutir a respeito de outra face das nossas expressões musicais e abordarei um pouco a respeito das músicas de cultura popular.
O próprio nome é claro. Cultura popular representa aqueles tipos de música que surgem a partir do próprio povo, a partir da história e costumes de uma determinada região. Pernambuco, talvez por ter sido um importante pólo econômico do país (mais no passado do que na atualidade), onde diversos povos se encontravam e se misturavam, possui uma diversidade impressionante de ritmos diferentes.
É difícil dar conta de todas as manifestações culturais presentes nesta região. Tentemos os mais famosos. De início, temos o maracatu, ligado à história dos escravos africanos. Temos também o coco, associado à cultura africana e indígena. A ciranda, por sua vez, desenvolveu-se no litoral, inspirando-se no movimento das ondas do mar. Há ainda o xaxado, a dança dos cangaceiros, e muitas outras manifestações, algumas já até citadas na postagem sobre música regional, como o baião, o forró, o xote. Estes são apenas alguns exemplos do que o estado tem em termos de música popular e, obviamente, estou esquecendo de mencionar vários outros ritmos. (É necessário tempo e paciência para catalogar todos. E estas são duas coisas que não tenho no momento).
Diante de tal diversidade, ouve uma certa dificuldade para escolher um artista a ser apresentado na postagem. Pensei em Lia de Itamaracá, Selma do Coco ou Coco Raízes de Arcoverde. Todos bastante interessantes. Contudo, limitam-se a apresentar apenas um ritmo. No caso da primeira supracitada, a ciranda; nos outros dois casos, o coco. Cogitei a possibilidade de Mestre Salustiano, ou Mestre Salu, um dos maiores rabequeiros do país e do mundo. Talvez fosse a melhor opção, mas suas obras não são facilmente encontradas. (Pelo menos, eu não consegui). Assim, diante de tal situação, optei por um grupo que sintetiza bem a diversidade rítmica de Pernambuco e cuja obra eu possuo. Certamente, se não for a primeira, é a segunda melhor opção: Comadre Florzinha, atualmente renomeado como Comadre Fulozinha.
O álbum escolhido, por sua vez, corresponde ao primeiro da banda, ainda em sua formação mais conhecida, com Karina Buhr e Isaar de França. Formado por uma maioria feminina (a formação atual inclui um homem), Comadre Florzinha surgiu em 1997 com a proposta de divulgar a cultura de Pernambuco, dentro do movimento mangue beat. Em suas canções, dá-se destaque aos instrumentos percussivos e aos vocais femininos, fazendo alusão ao modo como os ritmos em questão são executados pelo povo.
O disco aqui apresentado foi lançado em 1999 e, apesar da forte presença da percussão, há espaço para instrumentos melódicos, como sanfona, rabeca e saxofone. (A propósito, gostaria de pedir para que lembrem da capa da obra. Em breve, pretendo fazer um comentário a respeito da pessoa que fez o desenvolvimento gráfico do álbum). O trabalho conta ainda com participação especial de Siba, Renata Rosa e Thomas Rorher; talvez os nomes não seja bastante conhecidos pela maioria, mas suas participações são excelentes.
As primeiras faixas consistem em canções de domínio público. Dentre estas, destaco 'Maré' e 'Pirulito', uma das músicas do grupo mais tocadas nas rádios do estado. Dentre as demais, destaco 'Sapopemba', com participação de Rorher (tocando rabeca), 'Fulozinha' e a regravação do instrumental 'Xique-xique', composição de Tom Zé.
Pois é... Fica aqui mais uma sugestão do Jossa Blog. A obra é interessantíssima! Aproveitem! Recomendo-a principalmente a estudantes de percussão. Também recomendo a estes a obra que disponibilizarei na próxima postagem. Mas, é claro, esconderei o jogo por alguns dias. Não muitos. Afinal, pretendo acabar a série no final do mês, ou seja, em dois dias...
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Ficha Técnica: Comadre Florzinha (1999)
Mais informações: Comadre Florzinha

sábado, 27 de março de 2010

Chico Science e Nação Zumbi: Da lama ao caos (1994)

A música de Pernambuco, parte 4: Música urbana.
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Alguns contra-tempos e um pouco de preguiça fizeram-me atrasar algumas postagens e, agora, na tentativa de concluir esta série a tempo, farei três postagens em menos de uma semana. Não é exatamente o que eu pretendia quando idealizei o Jossa Blog, mas de vez em quando não faz mal abrir exceções.
Assim, chegamos hoje à quarta parte de nossa série sobre a música pernambucana: Música urbana. E, de modo similar ao que ocorreu na primeira postagem da série, cabe a questão: o que é música urbana? Bem... O site Música de Pernambuco define tal termo como: "a mixórdia de ritmos, sons, beats, que invadiram as grandes cidades a partir dos anos 70, quando o rock transformou-se numa música de mil faces".
Entre os vários ritmos que se enquadram como música urbana, além do rock and roll, podemos citar: hip hop, heavy metal, a música eletrônica e a música pop. Obviamente, muitos são os exemplos; talvez, impossível enumerar todos, principalmente se considerarmos as variantes de cada ritmo. Também é evidente que nem sempre tais ritmos são puros, ou seja, que são executados totalmente ligados às suas raízes, sem grandes alterações. Na verdade, em Pernambuco, o que mais ocorre é o oposto: quase todos os grupos de rock, música eletrônica, hip hop etc. tentam fundir estes estilos musicais com ritmos da cultura brasileira. É comum misturas de música eletrônica com samba, hip hop com embolada, rock com maracatu... De fato, tais misturas tornaram-se a base para o desenvolvimento da música de Pernambuco no final do século XX e vêm sendo bastante praticadas e exploradas nos últimos anos.
Mas, de onde vem essa idéia de fusão? Hmm... Acredito que seja normal fundir ritmos diferentes desde "sei lá quando". Todavia, em Pernambuco, tais idéias foram incentivadas a partir de meados da década de 1990, com o surgimento do movimento mangue beat, cuja proposta era examente aquela descrita no parágrafo acima. Tomando tudo isso como base, não foi difícil escolher a obra que posto hoje.
De fato, tudo que escrevi acima foi uma forma mais extensa do meu pensamento durante a escolha. De forma resumida, a escolha ocorreu do seguinte modo. "O que é música urbana? Aquela que se desenvolve nas grandes cidades: rock, hip hop, música eletrônica etc. Qual a base da música pernambucana? Misturar tais estilos com ritmos regionais. Quando tal idéia ganha força? Com o movimento mangue beat. E quem é o maior expoente de tal movimento? Sem dúvida alguma, Chico Science e Nação Zumbi". E, dentro de trinta segundos pensando, decidi disponibilizar a primeira obra do grupo: Da lama ao caos.
Lançada em 1994, três anos antes da trágica morte de Chico Science, a obra em questão traz uma ótima fusão de ritmos até então pouco praticada. Mistura-se rock e maracatu, soul e samba, batidas eletrônicas e coco, contribuindo para a atualização e divulgação da cultura pernambucana. Da lama ao caos fez com que muitos olhos se voltassem para o estado, contribuindo indiretamente para o sucesso de diversos outros grupos locais. Não é sem motivos que este se tornou o disco manifesto do movimento mangue beat e é apontado como um dos mais importantes trabalhos musicais de Pernambuco e do Brasil.
O disco é repleto de sucessos; muitos deles foram bastante tocados não só no estado, mas em todo o país. Entre os não-sucessos, destaco: 'Monólogo ao pé do ouvido - Banditismo por uma questão de classe' e o instrumental 'Salutiano song', uma homenagem a Mestre Salu, um dos maiores artistas da história de Pernambuco. Todavia, com foi dito, muitos são os hits e todos merecem ser citados: 'Rios, pontes e overdrives', 'A cidade', 'A praieira', 'Da lama ao caos', 'Antene-se' e 'Computadores fazem arte'.
Enfim, não me prolongarei mais. Termino aqui mais uma postagem. Aproveitem ao máximo esta obra-prima da cultura pernambucana! E, até... amanhã ou depois. Ainda não estou bem certo...
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Ficha Técnica: Da lama ao caos (1994)
Mais informações: Chico Science, Nação Zumbi

segunda-feira, 22 de março de 2010

Dominguinhos: Ao vivo (2001)

A música de Pernambuco, parte 3: Forró e música regional.
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Hoje chegamos à metade desta série a respeito da música pernambucana e discutiremos um pouco sobre um dos ritmos mais populares não só do estado, mas do Brasil: o forró. Neste caso, adicionei o termo "música regional", não encontrado no site Música de Pernambuco, assim como exclui o termo "música de Carnaval" da postagem anterior.
Todavia, uma coisa é certa. Há uma observação sobre o ritmo feitas pela homepage acima citada que aproveitei totalmente enquanto escolhia a obra. "Ficou de fora o forró eletrônico, ou estilizado, por se entender que não há estilização de forró nas bandas que o praticam, que fazem lambada, e chegam a gravar sucessos internacionais dos anos 70. Portanto não se encaixam na classificação de forrozeiros". Acredito que ninguém (com um mínimo de conhecimento cultural) se oponha a tal exclusão. Afinal de contas, não há o que se apreciar em tais grupos; sinceramente, considero-os uma vergonha para o nosso estado e, por conseguinte, não os citarei no Jossa Blog. (Eu poderia até citá-los e falar mal deles, mas prefiro deixar para outro momento).
Mas, voltando a questão da adição do termo "música regional". Por que fiz isso? O forró certamente é o ritmo mais popular no interior de Pernambuco e do Brasil. Todavia, os grandes artistas do Nordeste, os grandes sanfoneiros, não se limitaram a gravar forró. Gravaram também vários outros ritmos, como o xote, que apresentam grande similaridade com aquele estilo e, da mesma forma, podem ser dançados em casal, utilizando-se passos similares etc. Além disso, pode-se dizer que o interior de Pernambuco e do nordeste do Brasil desenvolveu uma forma de fazer música própria da região. Assim, em algum casos, tais canções não são enquadradas como forró, baião ou xaxado (todas típicas das zonas interioranas da região nordeste). Contudo, quem conhece a música brasileira, é capaz de identificar como oriunda do interior do nordeste, mesmo não sabendo de que artista se trata. Seria talvez uma MPB regional.
Assim, o termo "música regional" parece-me mais adequado, uma vez que englobaria todos os ritmos típicos das regiões interioranas do nordeste do Brasil. No entanto, visto que o forró tem destaque maior, merece ser colocado em destaque.
Bem... Sendo minha justificativa convincente ou não, decidi disponibilizar o álbum Ao vivo, de Dominguinhos. Por quê? Desta vez, minha escolha do artista não foi muito difícil. Apesar das inúmeras opções, pensei logo de início em duas possibilidades: Luiz Gonzaga ou Dominguinhos, os dois maiores sanfoneiros de Pernambuco, do passado e do presente, respectivamente. (A propósito, quem tiver curiosidade, recomendo a obra Yamandu+Dominguinhos. É ótima para ter uma idéia do quão bem este toca acordeon. E, é claro, o excelente violão do músico gaúcho também contribui bastante para a beleza da obra). O meu problema maior foi escolher o disco: problemas para encontrar em CD, problemas decidi os que teriam melhores músicas... Após muito pensar, cheguei aos seguintes resultados. Primeiro, postando Dominguinhos, Luiz Gonzaga seria contemplado, visto que aquele costuma tocar muitos dos sucessos deste. Segundo, postando uma obra ao vivo, eu conseguiria contemplar o maior número de hits de ambos. Por último, a simpatia, o carisma, a simplicidade de Dominguinhos, que já tive a oportunidade de "conhecer" pessoalmente, contribuem para minha escolha. Assim, decidi pôr Ao vivo, de 2001.
Gravado no Teatro Sesc Pompéia, São Paulo, o álbum apresenta muitos dos maiores sucessos do sanfoneiro de Garanhuns. Nele, há muito espaço para o forró. Porém, encontram-se também diversas das mais importantes parcerias de Dominguinhos ao longo de sua carreira: com Chico Buarque, Djavan, Gilberto Gil, Nando Cordel. O único problema do álbum consiste no fato de muitas canções do artista, algumas das mais belas, serem executadas em pout-pourri, quando na verdade mereciam ser executadas integralmente.
De qualquer modo, tal característica não tira a beleza da obra. São 25 canções em 16 faixas. Dentre estas, destaco 'Retrato da vida', em parceria com Djavan, 'Tantas palavras', em parceria com Chico Buarque, e 'Lamento sertanejo', em parceria com Gilberto Gil. Mas, também aconselho fortemente os pout-pourri 'De volta pro aconchego - Gostoso demais - Tenho sede' e 'Eu me lembro - Zé do Rock' e 'Eu só quero um xodó', um dos maiores sucessos na história do forró. As regravações de Luiz Gonzaga também são muito boas!
Para finalizar, gostaria de deixar uma questão. Há várias teorias a respeito da origem do termo "forró". Uma delas diz que tal palavra tem origem no inglês "for all", uma vez que o ritmo se destinava a qualquer, independente de etnia, crença ou classe social. Essa história faz sentido? Já escutei outras teorias embasadas em estudos históricos, porém esta parece ser apenas uma versão popular. Se alguém conhecer alguma pesquisa sobre isso, por favor, informe-me. Eu agradeceria bastante...
De qualquer modo, espero que gostem da obra apresentada e de Dominguinhos. Sem dúvida, este pode ser considerado um dos maiores orgulhos da música pernambucana. Muito bom mesmo!
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Ficha Técnica: Ao vivo (2001)
Mais informações: Dominguinhos

quinta-feira, 18 de março de 2010

SpokFrevo Orquestra: Passo de anjo (2004)

A música de Pernambuco, parte 2: Frevo.
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Dando continuidade a série sobre música de Pernambuco, entramos em outra tendência musical do estado. Esta provavelmente pode ser considerada a manifestação musical mais característica do estado, ou ao menos, da capital: o frevo.
Devo destacar que o site Música de Pernambuco, que venho utilizando para traçar um roteiro para tal exposição, apresenta o grupo como 'Frevo e música de Carnaval'. Todavia, decidi ignorar o segundo termo, apesar do Carnaval de Pernambuco não se limitar somente a frevo, incluindo também maracatu, caboclinho, ciranda e muitos outros ritmos. Apenas pensei que tais ritmos também podem ser enquadrados em outras tendências que abordarei futuramente. Assim, posso dar um maior enfoque ao principal ritmo da capital pernambucana. Pois, ao meu ver, este merece uma abordagem especial.
Por que? Simplesmente porque o frevo tem total origem na cidade do Recife e seu desenvolvimento também ocorreu quase que totalmente dentro desta cidade. Portanto, conhecer a história do frevo é conhecer a cultura e as tradições da cidade, as mudanças de valores e as influências de outros ritmos na música local etc. Talvez alguns achem ser exagero o que digo... Infelizmente, não tenho tempo suficiente hoje para discutir tal questão, mas garanto que, aprofundando o conhecimento de tal ritmo em suas várias manifestação, é possível aprender a respeito da história de Recife e Pernambuco. A própria origem do frevo é bastante interessante. Alguém diria que suas origens são bélicas? Pois é... Mas, deixemos isso para outro momento. Se entrarmos em tais questões, a postagem não acaba.
Vamos a minha justificativa para a escolha de tal obra. Primeiramente, como o grupo seria originalmente 'Frevo e música de Carnaval' pensei em colocar algo de Antonio Nóbrega. Tal artista, em suas obras costuma contemplar a diversidade cultural de Pernambuco no Carnaval, apresentando os vários ritmos tocados durante tal festa. Porém, disponibilizei uma obra dele há poucas semanas; não faria sentido colocar outra agora. Então, cogitei a possibilidade de algum artista mais originário, como Capiba, um dos maiores compositores de frevo da história, mas tive dificuldades de encontrar suas obras; encontrei apenas coletâneas. Pensei ainda na possibilidade de apresentar alguma obra de frevo-de-bloco, mas algo me disse que não...
Foi quando percebi que havia esquecido um dos mais importantes compositores e músicos pernambucanos da atualidade: o Maestro Spok. E, assim, apresento Passo de anjo, de SpokFrevo Orquestra.
E o que a obra do Maestro Spok tem de diferente para merecer um destaque sobre os demais? Bem... Talvez, possamos até dizer que nada extraordinário. Sua big band não toca melhor do que outras (nem pior); suas composições não são mais complexas do que os clássicos do frevo. Contudo, há uma pequena característica que diferencia a SpokFrevo Orquestra de outros grupos de frevo: a influência do jazz.
Não me refiro à fusão entre frevo e jazz. Na verdade, tal mistura já foi realizada muito antes do próprio Spok iniciar sua carreira musical por artistas não-recifenses, como Egberto Gismonti e Hermeto Pascoal. (Não tenho conhecimento de músicos da cidade terem realizado tal fusão. Se alguém tiver alguma informação do tipo, por favor, comentem. Gostaria bastante de saber). A influência do jazz valorizada pelo maestro em questão corresponde ao improviso. Spok e sua big band foram os primeiros a introduzir o improviso musical, característico do jazz, no frevo, sem que suas músicas deixassem de ser frevo. Isso contribui para a reinterpretação de clássicos do ritmo em questão, atualizando-o e permitindo que as próprias concepções sobre o frevo possam ser revistas.
Passo de anjo foi o primeiro álbum do grupo e encontra-se repleto de releituras, além de novas composições, todas valorizando improvisos e, por conseguinte, mostrando a diferença entre tal banda e as demais. O álbum conta ainda com a participação de vários outros excelente músicos, inclusive Antonio Nóbrega em 'Lágrima de folião', um dos destaques que faço. Além desta, também destaco 'Nino, o pernambuquinho', 'Mexe com tudo' e 'Frevo sanfonado'. Mas, se quiserem aproveitar a obra da melhor forma, esqueçam as recomendações e ouçam faixa a faixa. É o melhor a se fazer...
Ok! Por hoje, é só! Gostaria de falar muito mais sobre o frevo e sobre a SpokFrevo Orquestra (há muita história para contar sobre ambos), mas acho que o texto ficaria muito extenso. Fica para uma próxima oportunidade... Fiquem bem e aproveitem mais esta maravilha da música pernambucana! Espero que gostem!
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Ficha Técnica: Passo de anjo (2004)
Mais informações: Spok

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Antonio Nóbrega: Pernambuco falando para o mundo (1998)

"Carnaval, Carnaval, Carnaval! Fico tão triste quando chega o Carnaval".
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Sempre adorei a frase acima, trecho de uma canção composta por Luiz Melodia e Ciro José. Talvez por representar bem o meu estado de espírito durante esse período do ano. Fico tão desanimado que até atrasei esta postagem. Pretendia realizá-la sexta-feira passada, mas só tive ânimo para começá-la hoje. Pensei até em desistir. Mas, como no Brasil o Carnaval não termina nunca, conforme já discuti anteriormente, ainda estou em tempo. Correto? Certo ou não, aqui vou eu!
Gostaria de apresentar uma obra que representa minha relação com a festa em questão. Apesar de não apreciar tais comemorações, vejo esse período como um momento de me aproximar e refletir sobre a minha própria cultura. Não faço questão alguma de acompanhar blocos ou sair nas ruas. Porém, talvez por influência da família ou de outras pessoas, acabo ouvindo diversos ritmos tocados nessa época do ano.
Não... Durante o Carnaval não escuto samba e muito menos axé. Nada contra o primeiro; incluo-o entre os meus estilos de música preferidos e tenho grande admiração pelo estilo. Quanto ao segundo... Ah! Não vale nem a pena comentar! (Mas, para não deixar os soteropolitanos chateados, deixo explícita a minha admiração pelos criadores do trio elétrico: o, infelizmente esquecido, Trio Elétrico). Gosto de escutar músicas carnavalescas produzidas pelos artistas de minha própria cidade, que reflitam nossos costumes e nossa história, ou seja, aquilo que há de mais próximo, com que mais eu me identifico.
E quais são esses ritmos? Maracatu, caboclinho, ciranda e, principalmente, frevo. E, nesse processo de escutar e refletir, acabo por entrar no projeto do Jossa Blog: valorizar o conhecido e descobrir o que está surgindo ou ficou esquecido.
Resumindo, foi basicamente isso que fiz nas últimas semanas: pesquisei a respeito de músicas do Carnaval recifense. Tentei conhecer um pouco mais sobre os principais compositores de frevo e também um pouco sobre diversos outros ritmos da região. E, enquanto executava tal tarefa, escolhi para disponibilizar neste site uma das obras que penso melhor sintetizar o Carnaval da cidade e do estado: Pernambuco falando para o mundo, de Antonio Nóbrega.
Um dos artistas mais completos do país, Antonio Nóbrega tem um amplo conhecimento de música erudita e da cultura popular. Na década de 70, foi um dos componentes do Quinteto Armorial, projeto idealizado pelo escritor Ariano Suassuna, com a finalidade de fundir os dois estilos musicais acima mencionados. (A propósito, aos interessados, recomendo que procurem as obras de tal grupo. Com certeza, foi um dos maiores trabalhos musicais já realizados no Brasil. Belíssimo!). Na mesma década, iniciou sua carreira solo, também como ator e dançarino, sempre tentando divulgar um pouco da cultura pernambucana.
O álbum aqui apresentado foi lançado em 1998 e corresponde a uma seleção de ritmos do estado: coco, maracatu, frevo etc. Como o próprio título deixa claro, Antonio Nóbrega mostra ao mundo os principais traços da cultura de Pernambuco e, para isso, conta com diversos músicos da região, tais como Comadre Florzinha e Maestro Spok.
Sem dúvida, uma ótima síntese dos ritmos executados durante o Carnaval recifense. Destaco as seguintes canções: 'Chegança', 'Cantigas de roda', a bem-humorada 'Mulher-peixão', 'Seleção Capiba' (incluindo seus clássicos do frevo), 'Vassourinhas' (o clássico do Carnaval recifense) e a faixa que dá nome ao álbum, 'Pernambuco falando para o mundo'.
É isso... O Carnaval de verdade passou e entramos no Carnaval de mentira, que durará até "sabe-se lá quando". Hmmm... Talvez não seja bom, mas já é o suficiente para eu sair do meu estado de tristeza e retornar às minhas atividades normais. Aproveitem a obra e até breve!
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Ficha Técnica: Pernambuco falando para o mundo (1998)
Mais informações: Antonio Nóbrega