terça-feira, 13 de julho de 2010

Mutantes: Os Mutantes (1968)

As origens do rock brasileiro, parte 2: Rock Psicodélico.
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Pensei em não abordar hoje sobre o tema desta série para falar de outro grande artista que perdemos nesta terça-feira: Paulo Moura. Grande clarinetista! Tocou com os melhores músicos do país e certamente conquistou seu lugar na história de nossa música. Gostaria de preparar uma homenagem a ele. Porém, um motivo específico, que direi em breve, me convenceu não fazer isso hoje. (De qualquer modo, farei futuramente).
Após realizar a última postagem, anunciando o início desta série, reli o texto e percebi que havia esquecido um detalhe: explicar o motivo pelo qual decidi publicar esta série de postagens. Assim, explico agora: tomei tal decisão pelo fato de julho ser o mês do rock'n'roll. Bem... Na verdade, não sei se é de fato. Mas sei, com toda certeza, que 13 de julho é o Dia Internacional do Rock. Portanto, considero este mês como o mês do ritmo também. Seja como for, isso não importa... O que importa é que é hoje!!! (E este é o motivo pelo qual decidi continuar com a série ao invés de falar sobre o trabalho de Paulo Moura).
Talvez alguns possam alegar que eu esteja atrasado, que eu devia ter feito a postagem no início do dia para que os visitantes do blog apreciassem o som ao longo desta data. Contudo, afirmo que o importante é não deixar a data ser esquecida e ouvir bastante rock and roll. Não só hoje, mas todos os dias... Ou seja, nunca é tarde para cultuar esse estilo musical.
Dessa forma, disponibilizo hoje um dos maiores clássicos do rock brasileiro e mundial: o primeiro álbum dos Mutantes, de 1968.
Obviamente, uma obra como esta não precisa de apresentação; apenas o ato anunciar de seu nome é já diz tudo. Mesmo assim, falarei sobre o álbum...
Este disco tem muita história. É um dos destaques do movimento tropicalista. Foi apontado por europeus e americanos como um dos mais inovadores da história. Considerado o 9º álbum mais importante da música brasileira pela revista Rolling Stone. Chegou a ser comparado a Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, e a The Piper at the Gates of Dawn, do Pink Floyd. E nem pensem que tal comparação é injusta! A mistura rítmicas apresentada pelo grupo não tem precedentes. Trata-se de uma obra única! Não foi à toa que o disco o mundo inteiro.
Os Mutantes também representa o início do psicodelismo do Brasil, embora, como já foi comentado em postagem anterior, outros artistas trabalhassem tal tendência simultaneamente, como Alceu Valença, Zé Ramalho e Ave Sangria. Mas deixemos isso de lado mais uma vez... (Um dia ainda farei uma postagem sobre o psicodelismo brasileiro. Não sei quando... Mas farei!).
Enfim, deixando de lero-lero. De modo bem resumido para que eu possa ir dormir - pois já está tarde: o álbum é fantástico! Impossível escutar somente uma vez! A cada audição tem-se novas sensações e tudo ao redor parece mudar. Bem... Pelo menos, é o que ocorre comigo.
Enfim... Comemoremos o Dia Internacional do Rock ao som de Os Mutantes. Sem dúvida é uma das melhores formas de celebrar esta data. Despeço-me, então, em clima de anos 60, promovido pelo psicodelismo das música da obra... Paz e amor!
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Ficha Técnica: Os Mutantes (1968)
Mais informações: Mutantes

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Raphael Rabello: Relendo Dilermando Reis (1994)

15 anos sem Raphael Rabello.
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Muito antes de Yamandu Costa se tornar sensação no país, talvez antes mesmo deste pensar em seguir carreira musical, o Brasil foi privilegiado com outro grande violonista. Lembro-me muito bem que, ainda criança, escutava falar constantemente de Raphael Rabello. E, não sei exatamente em que ano, de repente pararam de comentar a seu respeito.
Pois é... Em geral, os brasileiros têm memória curta. Se os meios de comunicação param de falar sobre um artista, é quase certo que, em apenas algumas semanas, este cairá no esquecimento. Foi exatamente isso que ocorreu com o artista em questão. Após sua morte prematura, em 1995, pararam de falar a seu respeito e, da noite para o dia, ninguém mais lembrava sequer do seu nome, muito menos de sua importância para a música.
Há quase uma semana, no dia 27 de abril, completaram-se 15 anos da morte de Raphael Rabello e não vi nada a seu respeito. Nenhum especial, nenhum comentário, nada! Todavia, a mídia permanecesse falando e fazendo programas especiais para artistas que não vão, nem vêm. (Provavelmente porque dão audiência e, por conseguinte, dinheiro). Mas, o Jossa Blog não deixa grandes nomes passarem despercebidos e, apesar de uma semana atrasado, faço este homenagem a um dos maiores nomes do violão no Brasil e no mundo.
Nascido em Petrópolis, em 1962, Raphael Rabello estudou violão com Jaime Florence (também professor de Baden Powell) e foi bastante influenciado por Dino 7 Cordas. Ainda adolescente iniciou sua carreira musical, tocando com Turíbio Santos. Seu progresso no instrumento era impressionante e logo chamou a atenção de artistas nacionais, como Tom Jobim e Ney Matogrosso, e internacionais, como Paco de Lucia.
Sua habilidade era tamanha! Constantemente, era elogiado por artistas de renome. Dino 7 Cordas, seu mestre, por exemplo, afirmava: "Ele não tem limitações. Técnica, velocidade, bom gosto harmônico, um artista completo". Francis Hime pensava similar: "Ele foi um incrível violonista. Eu nunca vi igual... ele foi único".
E no exterior, o que diziam dele? Pat Metheny garantia: "Raphael Rabello foi simplesmente um dos maiores violonistas que já existiu. Seu nível de introspecção no potencial do instrumento só foi alcançado, talvez, pelo grande Paco de Lucia. Ele foi 'o' Violonista Brasileiro de nosso tempo, na minha opinião. Sua morte, em uma idade ainda tão jovem, é uma perda incrivelmente dolorosa, não apenas pelo que ele já tinha feito, e sim pelo que ele poderia vir a fazer". E Paco de Lucia corroborava: "O melhor violonista que eu já ouvi em anos. Ele ultrapassou as limitações técnicas do violão, e sua música vinha progressivamente de sua alma, diretamente para os corações de quem o admirava".
Infelizmente, em 27 de abril de 1995, após uma série de tragédias ocorrida nos anos anteriores (acidente de carro, fraturas no braço direito, AIDS, drogas etc.), Raphael Rabello faleceu durante o sono, devido a um problema de apnéia. Tinha apenas 32 anos. Fato lamentável! O que ele poderia ter feito se ainda estivesse vivo? Jamais saberemos... Resta-nos, portanto, apenas lembrar do que ele fez. Assim, apresento a obra Relendo Dilermando Reis.
Lançado em 1994, o álbum foi um dos vencedores do Prêmio Sharp daquele mesmo ano. No disco em questão, Raphael Rabello apresenta clássicos do choro interpretados por Dilermando Reis. Não há participação de nenhum outro músico no disco; apenas o artista e seu vilão. Porém, em diversos momentos, chega-se a acreditar que existem mais instrumentos. Poucos têm a capacidade de fazer o que o violonista em questão faz.
Dentre as doze faixas, destaco 'Abismo de Rosas', 'Doutor Sabe Tudo', 'Xodó da baiana' e 'Magoado'. A minha preferida, todavia, é 'Marcha dos marinheiros', na qual o Raphael Rabello alcança timbres diferentes com o violão; algo que faz lembrar uma corneta ou algo do tipo. Na verdade, toda a obra é belíssima! Assim como os outros álbum do artista.
E, assim, encerro a minha homenagem a este grande nome da música brasileira. Espero que tal obra possa mostrar um pouco do talento de Raphael Rabello. Aproveitem e jamais esqueçam este nome. Dificilmente se encontra alguém com tamanho talento... Não vão querer perdê-lo de vista, certo?
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Ficha Técnica: Relendo Dilermando Reis (1994)
Mais informações: Raphael Rabello

domingo, 25 de abril de 2010

Chico Buarque: Chico Buarque (1978)

"Canta primavera, pá!"
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Olá a todos! Não me prolongarei hoje; infelizmente, tenho muitos deveres a cumprir e não posso demorar demais nesta postagem. Todavia, faço esta postagens para não deixar passar em branco a presente data.
Gostaria de lembrar que hoje, 25 de abril, é uma data especial para o povo português. Trata-se da Revolução dos Cravos, o golpe de Estado ocorrido em 1974, que derrubou a ditadura salazarista, restaurando a democracia naquele país.
Obviamente, tal evento é esquecido, ou ignorado, pela maioria dos brasileiros. Porém, uma vez que tenho grande simpatia e admiração pela nação lusitana, conforme já comentei alguns meses atrás, tento sempre me manter informado sobre os acontecimentos daquele local e lembrar suas datas comemorativas.
Apesar disso, apesar de muitos desconhecerem tal evento, o 25 de abril teve impacto muito grande no Brasil na década de 1970. Enquanto Portugal saia de um regime ditatorial, o Brasil permanecia sob o poder dos militares. A Revolução dos Cravos, assim, foi tida como um exemplo para a luta brasileira contra a ditadura e pela reconquista da liberdade de expressão durante os anos seguintes. Foi inspirado nesse evento que Chico Buarque compôs a canção 'Tanto mar', presente em seu álbum de 1978, que apresento hoje no Jossa Blog.
A letra original da música acima citada, incrivelmente, é desconhecida por muitos brasileiros até hoje. Na verdade, ela foi censurada naquele período e só pôde ser divulgada em sua forma original em Portugal. (Tal versão pode ser encontrada na coleção Songbook Chico Buarque, interpretada pela cantora portuguesa Eugênia Melo e Castro). De qualquer modo, as principais idéias foram preservadas, inclusive as figuras poéticas. Cada palavra parece ter sido minuciosamente pensada pelo autor, sem que este perdesse o sentimento. Ouçam e interpretem!
Além desta bela homenagem a nossos amigos de além-mar, o disco ainda traz muitos outros sucessos. Dentre as várias canções do álbum, destaco: 'Cálice', uma das principais canções contra o governo militar, 'O meu amor', cantada por Elba Ramalho e Marieta Severo (esposa de Chico Buarque quando o disco foi gravado), e 'Pedaço de mim', uma homenagem do cantor a Zuzu Angel. (Hmm... Quanto a esta última observação, não encontrei fontes confiáveis sobre o assunto. Aqueles que ouvem Chico Buarque costumam fazer tal afirmação, porém sabemos que o cantor não costuma revelar as inspirações para suas composições. Fica difícil chegarmos a uma resposta definitiva. Mas, se eu souber de algo mais sobre o assunto, comento posteriormente). Na verdade, o disco Chico Buarque, de 1978, também é considerado uma das principais obras suas contra o governo militar, juntamente com Construção, já postado anteriormente.
Enfim... Esta é a homenagem do Jossa Blog à Revolução dos Cravos e ao povo português nesta data tão especial. Espero que a grandeza da obra apresentada consiga representar a importância do 25 de abril para a História, de Portugal, do Brasil e do mundo, visto que o meu texto foi muito breve para alcançar tal objetivo. De qualquer modo, aproveitem o disco! É uma obra-prima da música brasileira!
Abraços e até a próxima!
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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Flávio Guimarães: Little blues (1995)

Considerações sobre o blues...
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Há alguns meses, um amigo e seguidor do Jossa Blog, Eustáquio José da Silva, , organizador do blog (A)cultura Social: Perspectivando!, fez-me uma solicitação. Disse ele que, apesar de eu estar sempre apresentando muito material interessante e desconhecido pela maioria, ainda não havia colocado nada sobre o seu estilo musical preferido: o blues. De fato, foi um detalhe que me passou despercebido. Eu já indiquei Mallavoodo, que apresenta elementos do estilo, mas nada sobre o ritmo propriamente dito.
Admito que, na verdade, esta minha falha se deve quase que totalmente a minha ignorância sobre os artistas de tal ritmo no Brasil. Ao saber deste detalhe, aquele que me fez a solicitação, ansioso para ver uma postagem sobre o assunto, indicou-me dois grandes artistas do blues nacional: Flávio Guimarães (gaitista carioca, membro da banda Blues Etílicos) e Nuno Mindelis (guitarrista angolano, radicado há muitos anos no Brasil). Assim, atendendo ao pedido, decidi disponibilizar algo sobre o primeiro, mas não sem primeiro fazer uma pequena provocação, que também servirá de justificativa para minha escolha.
A minha pergunta é: o que faz do blues um bom estilo musical? Em geral, seus arranjos não são complexos e o ritmo costuma ser bastante repetitivo. Além disso, trata-se de um estilo bastante fechado. É raro conseguir uma fusão do blues com outro estilo musical. Lembro-me apenas de fusões com o rock and roll, como fizeram o Lynyrd Skynyrd, Led Zeppelin e outras bandas similares. Também fui informado recentemente de fusões com o soul. Todavia, além desses ritmos não me consta nenhum outro, ao contrário do jazz, que já foi misturado com samba, frevo, rock e vários outros estilos. Enfim, tais qualidades, ao meu ver, parecem contribuir para a caracterização de um estilo pobre, ruim, com pouca coisa a se admirar.
Contudo, não é isso que ocorre com o blues. Por quê? Bem... Eu poderia deixar esta questão sem resposta, para que outros tentassem uma resposta. Mas, como admirador do ritmo em questão, tentarei expôr o que o torna digno de prestígio para mim.
Primeiramente, apesar de contar com composições e arranjos simples, isso não significa que estes são ruins. Em geral, os blues man trabalham bastante as canções, a fim de não deixar falhas. Neste ponto, também é interessante observar que, assim como o jazz, o estilo em questão apresenta espaço para o improviso, permitindo fugas das repetições.
Em segundo lugar, podemos argumentar que, a respeito da "inflexibilidade" do ritmo, talvez não se tenha tentado o suficiente. As possibilidades ainda estão abertas e muita surpresa pode surgir nos próximos anos, décadas, séculos, sabe-se-lá-quando...
Por fim, em terceiro lugar, o blues é um ritmo que possui história; é impossível compreender sua grandeza e importância sem tal conhecimento. Muitos elementos deste ritmo ainda são mantidos na contemporaneidade devido a suas importâncias históricas, como a melancolia das música e a gaita como um de seus instrumentos mais característicos. A propósito, alguém saberia dizer a razão desta última? Pois é... Uma vez que o blues foi um estilo inventado pelos negros escravos americanos e estes, por sua própria condição social, possuíam poucos recursos financeiros (muitas vezes, nenhum), tinham de contar com os instrumentos mais baratos possíveis para elaborar suas composições. E, qual o instrumento mais barato que se tinha naquele período? Exatamente! A gaita, ou harmônica.
E quanto à melancolia? O seguinte texto de Mayara Galvan, presente no blog acima indicado, responde: "As chamadas work songs eram realizadas pelos escravos [das regiões próximas ao rio Mississipi] no pouco tempo disponível. Suas letras cantavam sentimentos de dor e angústia causado pelo excesso do trabalho. Sem nenhum instrumento musical, já que não lhes era permitido seu uso, improvisavam com ferramentes de trabalho para dar ritmo às canções. Pouco a pouco um estilo único vinha emergindo, carregado de emoção e daquilo que pode ser visto no próprio nome, o 'Blues'".
Em suma, foram estas duas características, a gaita e a melancolia, que me fizeram escolher por Little blues, de Flávio Guimarães. Ambas encontram-se bastante presentes na obra deste músico. (De qualquer modo, sem dúvidas, também indico Nuno Mindelis. Excelente guitarrista! Já tocou, inclusive, com Steve Ray Vaughan!).
Flávio Guimarães iniciou sua carreira musical em meados dos anos 80, ao fundar o grupo Blues Etílicos, uma das primeiras bandas de blues do Brasil. Apesar de sua participação na banda, sempre realizou trabalhos solos. Acompanhou grandes nomes da música nacional, como Alceu Valença, Luiz Melodia e Zeca Baleiro, e internacional, como Buddy Guy e Charles Musselwhite; também já chegou a abrir shows para B. B. King! Little blues corresponde ao seu primeiro álbum solo. Lançado em 1995, o disco conta com a participação de grandes admiradores do blues do Brasil e do mundo, como Ed Motta, Roberto Frejat, Paulo Moura e Sugar Blue.
Apesar de ser predominantemente blues, o álbum também apresenta influências do jazz e do rock em algumas músicas, como se observa em 'Na Baixa do Sapateiro' e 'Sick and tired' respectivamente. Além destas duas faixas, também destaco: 'Hand jive', 'Hoochie coochie man' e a jam 'Baby, please don't go', com participação de Roberto Frejat e muitos outros. Todavia, acima de todas, recomendo 'Honest I do', com Ed Motta nos vocais. Muito bom!
Para finalizar, dedico esta postagem àquele que tanto me cobrou e esperou por tal ocasião: Eustáquio José da Silva. Também recomendo fortemente o seu blog (cujo link encontra-se no início da postagem): muitos textos e notícias interessantes por lá. Verifiquem!
Coincidentemente, acabo de lembrar um detalhe: ontem foi aniversário de outro grande amigo, já citado e homenageado anteriormente (duas vezes). Contudo, uma vez que tal obra envolve seu instrumento preferido, a gaita, também dedico tal postagem (mais uma vez) a Kleber Kyrillos, El Greco.
É isso... Fica aqui mais uma indicação. Apreciem sem moderação e até breve!
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Ficha Técnica: Little blues (1995)
Mais informações: Flávio Guimarães

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Fred Andrade e Ebel Perrelli: Mandinga (2002)

A música de Pernambuco, parte 6: Música instrumental.
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Finalmente!!! Após duas semanas de atraso, chego ao fim desta série sobre a música de Pernambuco. Peço desculpas aos seguidores e leitores deste blog pela demora. Infelizmente, tive uns contratempos e a preguiça também ajudou bastante. Em compensação, trago hoje uma das maiores pérolas da música pernambucana.
Bem... Quem acompanhou minhas postagens no último mês, teve oportunidade de conhecer cinco faces da música deste estado, classificados conforme o site Música de Pernambuco. A ordem escolhida por mim foi aleatória; não seguiu a ordem presente na homepage supracitada. Contudo, desde o início planejei deixar a postagem sobre música instrumental para o final. Por quê? Simples... Gosto de deixar a melhor parte para o final.
É óbvio que a minha decisão antecipada não significa que esta foi a escolha mais fácil. Pelo contrário, a quantidade de bons artistas instrumentais no estado é incrível. Temos excelentes guitarristas, como Beto Kaiser ou Luciano Magno. Também poderia apresentar a obra de um dos melhores contrabaixistas do estado: Bráulio Araújo. Entre as inúmeras bandas, posso citar Treminhão, Contrabanda e Sa Grama. Temos ainda grandes violonistas, como Cláudio Almeida e Nenéu Liberalquino. (A propósito, talvez eu poste algo sobre este último em breve. Todavia, aos mais curiosos, recomendo procurarem pela sua obra. É fantástico!). Há ainda um dos maiores percussionistas do mundo: Naná Vasconcelos. E muitos outros... Alguns até já foram disponibilizados anteriormente.
No entanto, diversos motivos me levaram a escolher Mandinga, de Fred Andrade e Ebel Perrelli. Primeiramente, lembro ter prometido postar este disco há um bom tempo. Para ser mais exato, da primeira vez que comentei sobre a música do estado neste blog, disponibilizando a obra do Mallavoodoo. Assim, cumpro hoje aquele débito.
Em segundo lugar, eu desejava um álbum onde pudéssemos contemplar um encontro de gigantes da música pernambucana. De fato, o disco foi planejado por dois dos melhores músicos da região: o guitarrista Fred Andrade, atualmente no Noise Viola, já apresentado em outra ocasião, e o baterista Ebel Perrelli. Além disso, conta com o apoio de Hélio Silva, excelente baixista, atualmente no SpokFrevo Orquestra e participa de quase todas as músicas. (Há uma consideração sobre a participação deste membro que farei dentro de alguns instantes). Para completar, pode-se contemplar as performances de Breno Lira (em breve, não hoje, planejo comentar sobre este também), ainda no início da carreira, Dominguinhos e Naná Vasconcelos. Não há dúvidas que temos o tal encontro de gigantes desejado.
Em terceiro lugar, eu gostaria de encerrar esta série de postagens com uma obra que fizeste lembrar Pernambuco do início ao fim. Embora as demais apresentadas também possam atender tal requisito, nenhuma delas o faz como Mandinga. Toda vez que eu ouço o disco em questão, viajo por todo o estado. Do litoral ao interior. Passo por diversas praias. Sinto a agitação da metrópole e a calmaria das áreas menos urbanizadas. Consigo até me ver viajando pelas estradas...
Resumindo, estas foram as principais razões que me fizeram escolher a presente obra. Não tenho dúvidas que é a melhor opção para encerrar a série com chave de ouro. A propósito, não farei destaques da forma habitual. Limitar-me-ei a dizer que uma das que mais me fascina é a faixa-título e que a preferida do guitarrista é 'Catú-Catú'. Mas vale a pena ouvir todas as faixas em sequência.
Mudando brevemente de assunto, gostaria de fazer uma observação sobre a banda. Exato! Falei "banda". Na verdade, existe uma polêmica quanto a tal questão. Embora na capa do álbum apareçam somente os nomes de Fred e Ebel, o grupo se apresentava como uma banda, cujo nome era Projeto Mandinga. E esta incluia Hélio Silva como membro. Breno Lira também chegou a ser considerado do grupo mais adiante, visto que participava constantemente dos shows, tocando viola caipira. Fiquei em dúvida sobre qual nome atribuir ao artista da obra. Optei por colocar os nomes que aparecem na capa do disco. Todavia, ressalto que a participação de Hélio Silva é fundamental para a realização do trabalho, contribuindo inclusive com uma das composições. Além disso, o baixo é tão perfeito quanto a guitarra e a bateria.
De qualquer modo, o Projeto Mandinga surgiu em 2002 e durou um pouco mais de um ano. No entanto, apesar de uma curta carreira, o trabalho destes foi bastante elogiado pelo povo e pelos críticos. Mandinga é o único álbum do grupo, que infelizmente não tem chances de voltar às suas atividades, segundo o guitarrista. Conversando com Fred Andrade, questionei a respeito dessa possibilidade e ele comentou que, apesar de haver muita interação entre ele e Ebel, também há muito desentendimento. Portanto, para o bem da amizade, o melhor seria encerrar o trabalho. Entretanto, há uma notícia animadora. Parece ter havido uma proposta feita por não-lembro-quem, a qual foi aceita pelos membros, de gravar um DVD a respeito deste trabalho. O vídeo apresentaria a história do grupo e muita música. Não sei quando será lançado, mas estou de olho. Qualquer notícia, eu aviso. Aguardemos...
Enfim... Chego, assim, ao final desta série. Gostaria de lembrar que toda ela foi dedicado ao grande amigo Antônio Aureliano, organizador do blog Mundo Novo Admirável. Espero que todas as postagens tenham ajudado a lembrar de Pernambuco e matar um pouco as saudades desta terrinha. Espero também que todos curtam o som do Mandinga. (Só para me amostrar um pouco: não encontrei tal obra em nenhum lugar da internet. Portanto, trata-se de uma "exclusividade" do Jossa Blog). Digam o que acharam do álbum. Vocês conseguiram visualizar as paisagens do estado?
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Ficha Técnica: Mandinga (2002)
Mais informações: Fred Andrade, Ebel Perrelli

segunda-feira, 29 de março de 2010

Comadre Florzinha: Comadre Florzinha (1999)

A música de Pernambuco, parte 5: Cultura popular.
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Estamos quase chegando ao fim desta série sobre a música de Pernambuco. Seguindo a classificação do site Música de Pernambuco, venho hoje discutir a respeito de outra face das nossas expressões musicais e abordarei um pouco a respeito das músicas de cultura popular.
O próprio nome é claro. Cultura popular representa aqueles tipos de música que surgem a partir do próprio povo, a partir da história e costumes de uma determinada região. Pernambuco, talvez por ter sido um importante pólo econômico do país (mais no passado do que na atualidade), onde diversos povos se encontravam e se misturavam, possui uma diversidade impressionante de ritmos diferentes.
É difícil dar conta de todas as manifestações culturais presentes nesta região. Tentemos os mais famosos. De início, temos o maracatu, ligado à história dos escravos africanos. Temos também o coco, associado à cultura africana e indígena. A ciranda, por sua vez, desenvolveu-se no litoral, inspirando-se no movimento das ondas do mar. Há ainda o xaxado, a dança dos cangaceiros, e muitas outras manifestações, algumas já até citadas na postagem sobre música regional, como o baião, o forró, o xote. Estes são apenas alguns exemplos do que o estado tem em termos de música popular e, obviamente, estou esquecendo de mencionar vários outros ritmos. (É necessário tempo e paciência para catalogar todos. E estas são duas coisas que não tenho no momento).
Diante de tal diversidade, ouve uma certa dificuldade para escolher um artista a ser apresentado na postagem. Pensei em Lia de Itamaracá, Selma do Coco ou Coco Raízes de Arcoverde. Todos bastante interessantes. Contudo, limitam-se a apresentar apenas um ritmo. No caso da primeira supracitada, a ciranda; nos outros dois casos, o coco. Cogitei a possibilidade de Mestre Salustiano, ou Mestre Salu, um dos maiores rabequeiros do país e do mundo. Talvez fosse a melhor opção, mas suas obras não são facilmente encontradas. (Pelo menos, eu não consegui). Assim, diante de tal situação, optei por um grupo que sintetiza bem a diversidade rítmica de Pernambuco e cuja obra eu possuo. Certamente, se não for a primeira, é a segunda melhor opção: Comadre Florzinha, atualmente renomeado como Comadre Fulozinha.
O álbum escolhido, por sua vez, corresponde ao primeiro da banda, ainda em sua formação mais conhecida, com Karina Buhr e Isaar de França. Formado por uma maioria feminina (a formação atual inclui um homem), Comadre Florzinha surgiu em 1997 com a proposta de divulgar a cultura de Pernambuco, dentro do movimento mangue beat. Em suas canções, dá-se destaque aos instrumentos percussivos e aos vocais femininos, fazendo alusão ao modo como os ritmos em questão são executados pelo povo.
O disco aqui apresentado foi lançado em 1999 e, apesar da forte presença da percussão, há espaço para instrumentos melódicos, como sanfona, rabeca e saxofone. (A propósito, gostaria de pedir para que lembrem da capa da obra. Em breve, pretendo fazer um comentário a respeito da pessoa que fez o desenvolvimento gráfico do álbum). O trabalho conta ainda com participação especial de Siba, Renata Rosa e Thomas Rorher; talvez os nomes não seja bastante conhecidos pela maioria, mas suas participações são excelentes.
As primeiras faixas consistem em canções de domínio público. Dentre estas, destaco 'Maré' e 'Pirulito', uma das músicas do grupo mais tocadas nas rádios do estado. Dentre as demais, destaco 'Sapopemba', com participação de Rorher (tocando rabeca), 'Fulozinha' e a regravação do instrumental 'Xique-xique', composição de Tom Zé.
Pois é... Fica aqui mais uma sugestão do Jossa Blog. A obra é interessantíssima! Aproveitem! Recomendo-a principalmente a estudantes de percussão. Também recomendo a estes a obra que disponibilizarei na próxima postagem. Mas, é claro, esconderei o jogo por alguns dias. Não muitos. Afinal, pretendo acabar a série no final do mês, ou seja, em dois dias...
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Ficha Técnica: Comadre Florzinha (1999)
Mais informações: Comadre Florzinha

sábado, 27 de março de 2010

Chico Science e Nação Zumbi: Da lama ao caos (1994)

A música de Pernambuco, parte 4: Música urbana.
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Alguns contra-tempos e um pouco de preguiça fizeram-me atrasar algumas postagens e, agora, na tentativa de concluir esta série a tempo, farei três postagens em menos de uma semana. Não é exatamente o que eu pretendia quando idealizei o Jossa Blog, mas de vez em quando não faz mal abrir exceções.
Assim, chegamos hoje à quarta parte de nossa série sobre a música pernambucana: Música urbana. E, de modo similar ao que ocorreu na primeira postagem da série, cabe a questão: o que é música urbana? Bem... O site Música de Pernambuco define tal termo como: "a mixórdia de ritmos, sons, beats, que invadiram as grandes cidades a partir dos anos 70, quando o rock transformou-se numa música de mil faces".
Entre os vários ritmos que se enquadram como música urbana, além do rock and roll, podemos citar: hip hop, heavy metal, a música eletrônica e a música pop. Obviamente, muitos são os exemplos; talvez, impossível enumerar todos, principalmente se considerarmos as variantes de cada ritmo. Também é evidente que nem sempre tais ritmos são puros, ou seja, que são executados totalmente ligados às suas raízes, sem grandes alterações. Na verdade, em Pernambuco, o que mais ocorre é o oposto: quase todos os grupos de rock, música eletrônica, hip hop etc. tentam fundir estes estilos musicais com ritmos da cultura brasileira. É comum misturas de música eletrônica com samba, hip hop com embolada, rock com maracatu... De fato, tais misturas tornaram-se a base para o desenvolvimento da música de Pernambuco no final do século XX e vêm sendo bastante praticadas e exploradas nos últimos anos.
Mas, de onde vem essa idéia de fusão? Hmm... Acredito que seja normal fundir ritmos diferentes desde "sei lá quando". Todavia, em Pernambuco, tais idéias foram incentivadas a partir de meados da década de 1990, com o surgimento do movimento mangue beat, cuja proposta era examente aquela descrita no parágrafo acima. Tomando tudo isso como base, não foi difícil escolher a obra que posto hoje.
De fato, tudo que escrevi acima foi uma forma mais extensa do meu pensamento durante a escolha. De forma resumida, a escolha ocorreu do seguinte modo. "O que é música urbana? Aquela que se desenvolve nas grandes cidades: rock, hip hop, música eletrônica etc. Qual a base da música pernambucana? Misturar tais estilos com ritmos regionais. Quando tal idéia ganha força? Com o movimento mangue beat. E quem é o maior expoente de tal movimento? Sem dúvida alguma, Chico Science e Nação Zumbi". E, dentro de trinta segundos pensando, decidi disponibilizar a primeira obra do grupo: Da lama ao caos.
Lançada em 1994, três anos antes da trágica morte de Chico Science, a obra em questão traz uma ótima fusão de ritmos até então pouco praticada. Mistura-se rock e maracatu, soul e samba, batidas eletrônicas e coco, contribuindo para a atualização e divulgação da cultura pernambucana. Da lama ao caos fez com que muitos olhos se voltassem para o estado, contribuindo indiretamente para o sucesso de diversos outros grupos locais. Não é sem motivos que este se tornou o disco manifesto do movimento mangue beat e é apontado como um dos mais importantes trabalhos musicais de Pernambuco e do Brasil.
O disco é repleto de sucessos; muitos deles foram bastante tocados não só no estado, mas em todo o país. Entre os não-sucessos, destaco: 'Monólogo ao pé do ouvido - Banditismo por uma questão de classe' e o instrumental 'Salutiano song', uma homenagem a Mestre Salu, um dos maiores artistas da história de Pernambuco. Todavia, com foi dito, muitos são os hits e todos merecem ser citados: 'Rios, pontes e overdrives', 'A cidade', 'A praieira', 'Da lama ao caos', 'Antene-se' e 'Computadores fazem arte'.
Enfim, não me prolongarei mais. Termino aqui mais uma postagem. Aproveitem ao máximo esta obra-prima da cultura pernambucana! E, até... amanhã ou depois. Ainda não estou bem certo...
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Ficha Técnica: Da lama ao caos (1994)
Mais informações: Chico Science, Nação Zumbi

segunda-feira, 22 de março de 2010

Dominguinhos: Ao vivo (2001)

A música de Pernambuco, parte 3: Forró e música regional.
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Hoje chegamos à metade desta série a respeito da música pernambucana e discutiremos um pouco sobre um dos ritmos mais populares não só do estado, mas do Brasil: o forró. Neste caso, adicionei o termo "música regional", não encontrado no site Música de Pernambuco, assim como exclui o termo "música de Carnaval" da postagem anterior.
Todavia, uma coisa é certa. Há uma observação sobre o ritmo feitas pela homepage acima citada que aproveitei totalmente enquanto escolhia a obra. "Ficou de fora o forró eletrônico, ou estilizado, por se entender que não há estilização de forró nas bandas que o praticam, que fazem lambada, e chegam a gravar sucessos internacionais dos anos 70. Portanto não se encaixam na classificação de forrozeiros". Acredito que ninguém (com um mínimo de conhecimento cultural) se oponha a tal exclusão. Afinal de contas, não há o que se apreciar em tais grupos; sinceramente, considero-os uma vergonha para o nosso estado e, por conseguinte, não os citarei no Jossa Blog. (Eu poderia até citá-los e falar mal deles, mas prefiro deixar para outro momento).
Mas, voltando a questão da adição do termo "música regional". Por que fiz isso? O forró certamente é o ritmo mais popular no interior de Pernambuco e do Brasil. Todavia, os grandes artistas do Nordeste, os grandes sanfoneiros, não se limitaram a gravar forró. Gravaram também vários outros ritmos, como o xote, que apresentam grande similaridade com aquele estilo e, da mesma forma, podem ser dançados em casal, utilizando-se passos similares etc. Além disso, pode-se dizer que o interior de Pernambuco e do nordeste do Brasil desenvolveu uma forma de fazer música própria da região. Assim, em algum casos, tais canções não são enquadradas como forró, baião ou xaxado (todas típicas das zonas interioranas da região nordeste). Contudo, quem conhece a música brasileira, é capaz de identificar como oriunda do interior do nordeste, mesmo não sabendo de que artista se trata. Seria talvez uma MPB regional.
Assim, o termo "música regional" parece-me mais adequado, uma vez que englobaria todos os ritmos típicos das regiões interioranas do nordeste do Brasil. No entanto, visto que o forró tem destaque maior, merece ser colocado em destaque.
Bem... Sendo minha justificativa convincente ou não, decidi disponibilizar o álbum Ao vivo, de Dominguinhos. Por quê? Desta vez, minha escolha do artista não foi muito difícil. Apesar das inúmeras opções, pensei logo de início em duas possibilidades: Luiz Gonzaga ou Dominguinhos, os dois maiores sanfoneiros de Pernambuco, do passado e do presente, respectivamente. (A propósito, quem tiver curiosidade, recomendo a obra Yamandu+Dominguinhos. É ótima para ter uma idéia do quão bem este toca acordeon. E, é claro, o excelente violão do músico gaúcho também contribui bastante para a beleza da obra). O meu problema maior foi escolher o disco: problemas para encontrar em CD, problemas decidi os que teriam melhores músicas... Após muito pensar, cheguei aos seguintes resultados. Primeiro, postando Dominguinhos, Luiz Gonzaga seria contemplado, visto que aquele costuma tocar muitos dos sucessos deste. Segundo, postando uma obra ao vivo, eu conseguiria contemplar o maior número de hits de ambos. Por último, a simpatia, o carisma, a simplicidade de Dominguinhos, que já tive a oportunidade de "conhecer" pessoalmente, contribuem para minha escolha. Assim, decidi pôr Ao vivo, de 2001.
Gravado no Teatro Sesc Pompéia, São Paulo, o álbum apresenta muitos dos maiores sucessos do sanfoneiro de Garanhuns. Nele, há muito espaço para o forró. Porém, encontram-se também diversas das mais importantes parcerias de Dominguinhos ao longo de sua carreira: com Chico Buarque, Djavan, Gilberto Gil, Nando Cordel. O único problema do álbum consiste no fato de muitas canções do artista, algumas das mais belas, serem executadas em pout-pourri, quando na verdade mereciam ser executadas integralmente.
De qualquer modo, tal característica não tira a beleza da obra. São 25 canções em 16 faixas. Dentre estas, destaco 'Retrato da vida', em parceria com Djavan, 'Tantas palavras', em parceria com Chico Buarque, e 'Lamento sertanejo', em parceria com Gilberto Gil. Mas, também aconselho fortemente os pout-pourri 'De volta pro aconchego - Gostoso demais - Tenho sede' e 'Eu me lembro - Zé do Rock' e 'Eu só quero um xodó', um dos maiores sucessos na história do forró. As regravações de Luiz Gonzaga também são muito boas!
Para finalizar, gostaria de deixar uma questão. Há várias teorias a respeito da origem do termo "forró". Uma delas diz que tal palavra tem origem no inglês "for all", uma vez que o ritmo se destinava a qualquer, independente de etnia, crença ou classe social. Essa história faz sentido? Já escutei outras teorias embasadas em estudos históricos, porém esta parece ser apenas uma versão popular. Se alguém conhecer alguma pesquisa sobre isso, por favor, informe-me. Eu agradeceria bastante...
De qualquer modo, espero que gostem da obra apresentada e de Dominguinhos. Sem dúvida, este pode ser considerado um dos maiores orgulhos da música pernambucana. Muito bom mesmo!
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Ficha Técnica: Ao vivo (2001)
Mais informações: Dominguinhos

quinta-feira, 18 de março de 2010

SpokFrevo Orquestra: Passo de anjo (2004)

A música de Pernambuco, parte 2: Frevo.
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Dando continuidade a série sobre música de Pernambuco, entramos em outra tendência musical do estado. Esta provavelmente pode ser considerada a manifestação musical mais característica do estado, ou ao menos, da capital: o frevo.
Devo destacar que o site Música de Pernambuco, que venho utilizando para traçar um roteiro para tal exposição, apresenta o grupo como 'Frevo e música de Carnaval'. Todavia, decidi ignorar o segundo termo, apesar do Carnaval de Pernambuco não se limitar somente a frevo, incluindo também maracatu, caboclinho, ciranda e muitos outros ritmos. Apenas pensei que tais ritmos também podem ser enquadrados em outras tendências que abordarei futuramente. Assim, posso dar um maior enfoque ao principal ritmo da capital pernambucana. Pois, ao meu ver, este merece uma abordagem especial.
Por que? Simplesmente porque o frevo tem total origem na cidade do Recife e seu desenvolvimento também ocorreu quase que totalmente dentro desta cidade. Portanto, conhecer a história do frevo é conhecer a cultura e as tradições da cidade, as mudanças de valores e as influências de outros ritmos na música local etc. Talvez alguns achem ser exagero o que digo... Infelizmente, não tenho tempo suficiente hoje para discutir tal questão, mas garanto que, aprofundando o conhecimento de tal ritmo em suas várias manifestação, é possível aprender a respeito da história de Recife e Pernambuco. A própria origem do frevo é bastante interessante. Alguém diria que suas origens são bélicas? Pois é... Mas, deixemos isso para outro momento. Se entrarmos em tais questões, a postagem não acaba.
Vamos a minha justificativa para a escolha de tal obra. Primeiramente, como o grupo seria originalmente 'Frevo e música de Carnaval' pensei em colocar algo de Antonio Nóbrega. Tal artista, em suas obras costuma contemplar a diversidade cultural de Pernambuco no Carnaval, apresentando os vários ritmos tocados durante tal festa. Porém, disponibilizei uma obra dele há poucas semanas; não faria sentido colocar outra agora. Então, cogitei a possibilidade de algum artista mais originário, como Capiba, um dos maiores compositores de frevo da história, mas tive dificuldades de encontrar suas obras; encontrei apenas coletâneas. Pensei ainda na possibilidade de apresentar alguma obra de frevo-de-bloco, mas algo me disse que não...
Foi quando percebi que havia esquecido um dos mais importantes compositores e músicos pernambucanos da atualidade: o Maestro Spok. E, assim, apresento Passo de anjo, de SpokFrevo Orquestra.
E o que a obra do Maestro Spok tem de diferente para merecer um destaque sobre os demais? Bem... Talvez, possamos até dizer que nada extraordinário. Sua big band não toca melhor do que outras (nem pior); suas composições não são mais complexas do que os clássicos do frevo. Contudo, há uma pequena característica que diferencia a SpokFrevo Orquestra de outros grupos de frevo: a influência do jazz.
Não me refiro à fusão entre frevo e jazz. Na verdade, tal mistura já foi realizada muito antes do próprio Spok iniciar sua carreira musical por artistas não-recifenses, como Egberto Gismonti e Hermeto Pascoal. (Não tenho conhecimento de músicos da cidade terem realizado tal fusão. Se alguém tiver alguma informação do tipo, por favor, comentem. Gostaria bastante de saber). A influência do jazz valorizada pelo maestro em questão corresponde ao improviso. Spok e sua big band foram os primeiros a introduzir o improviso musical, característico do jazz, no frevo, sem que suas músicas deixassem de ser frevo. Isso contribui para a reinterpretação de clássicos do ritmo em questão, atualizando-o e permitindo que as próprias concepções sobre o frevo possam ser revistas.
Passo de anjo foi o primeiro álbum do grupo e encontra-se repleto de releituras, além de novas composições, todas valorizando improvisos e, por conseguinte, mostrando a diferença entre tal banda e as demais. O álbum conta ainda com a participação de vários outros excelente músicos, inclusive Antonio Nóbrega em 'Lágrima de folião', um dos destaques que faço. Além desta, também destaco 'Nino, o pernambuquinho', 'Mexe com tudo' e 'Frevo sanfonado'. Mas, se quiserem aproveitar a obra da melhor forma, esqueçam as recomendações e ouçam faixa a faixa. É o melhor a se fazer...
Ok! Por hoje, é só! Gostaria de falar muito mais sobre o frevo e sobre a SpokFrevo Orquestra (há muita história para contar sobre ambos), mas acho que o texto ficaria muito extenso. Fica para uma próxima oportunidade... Fiquem bem e aproveitem mais esta maravilha da música pernambucana! Espero que gostem!
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Ficha Técnica: Passo de anjo (2004)
Mais informações: Spok

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Antonio Nóbrega: Pernambuco falando para o mundo (1998)

"Carnaval, Carnaval, Carnaval! Fico tão triste quando chega o Carnaval".
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Sempre adorei a frase acima, trecho de uma canção composta por Luiz Melodia e Ciro José. Talvez por representar bem o meu estado de espírito durante esse período do ano. Fico tão desanimado que até atrasei esta postagem. Pretendia realizá-la sexta-feira passada, mas só tive ânimo para começá-la hoje. Pensei até em desistir. Mas, como no Brasil o Carnaval não termina nunca, conforme já discuti anteriormente, ainda estou em tempo. Correto? Certo ou não, aqui vou eu!
Gostaria de apresentar uma obra que representa minha relação com a festa em questão. Apesar de não apreciar tais comemorações, vejo esse período como um momento de me aproximar e refletir sobre a minha própria cultura. Não faço questão alguma de acompanhar blocos ou sair nas ruas. Porém, talvez por influência da família ou de outras pessoas, acabo ouvindo diversos ritmos tocados nessa época do ano.
Não... Durante o Carnaval não escuto samba e muito menos axé. Nada contra o primeiro; incluo-o entre os meus estilos de música preferidos e tenho grande admiração pelo estilo. Quanto ao segundo... Ah! Não vale nem a pena comentar! (Mas, para não deixar os soteropolitanos chateados, deixo explícita a minha admiração pelos criadores do trio elétrico: o, infelizmente esquecido, Trio Elétrico). Gosto de escutar músicas carnavalescas produzidas pelos artistas de minha própria cidade, que reflitam nossos costumes e nossa história, ou seja, aquilo que há de mais próximo, com que mais eu me identifico.
E quais são esses ritmos? Maracatu, caboclinho, ciranda e, principalmente, frevo. E, nesse processo de escutar e refletir, acabo por entrar no projeto do Jossa Blog: valorizar o conhecido e descobrir o que está surgindo ou ficou esquecido.
Resumindo, foi basicamente isso que fiz nas últimas semanas: pesquisei a respeito de músicas do Carnaval recifense. Tentei conhecer um pouco mais sobre os principais compositores de frevo e também um pouco sobre diversos outros ritmos da região. E, enquanto executava tal tarefa, escolhi para disponibilizar neste site uma das obras que penso melhor sintetizar o Carnaval da cidade e do estado: Pernambuco falando para o mundo, de Antonio Nóbrega.
Um dos artistas mais completos do país, Antonio Nóbrega tem um amplo conhecimento de música erudita e da cultura popular. Na década de 70, foi um dos componentes do Quinteto Armorial, projeto idealizado pelo escritor Ariano Suassuna, com a finalidade de fundir os dois estilos musicais acima mencionados. (A propósito, aos interessados, recomendo que procurem as obras de tal grupo. Com certeza, foi um dos maiores trabalhos musicais já realizados no Brasil. Belíssimo!). Na mesma década, iniciou sua carreira solo, também como ator e dançarino, sempre tentando divulgar um pouco da cultura pernambucana.
O álbum aqui apresentado foi lançado em 1998 e corresponde a uma seleção de ritmos do estado: coco, maracatu, frevo etc. Como o próprio título deixa claro, Antonio Nóbrega mostra ao mundo os principais traços da cultura de Pernambuco e, para isso, conta com diversos músicos da região, tais como Comadre Florzinha e Maestro Spok.
Sem dúvida, uma ótima síntese dos ritmos executados durante o Carnaval recifense. Destaco as seguintes canções: 'Chegança', 'Cantigas de roda', a bem-humorada 'Mulher-peixão', 'Seleção Capiba' (incluindo seus clássicos do frevo), 'Vassourinhas' (o clássico do Carnaval recifense) e a faixa que dá nome ao álbum, 'Pernambuco falando para o mundo'.
É isso... O Carnaval de verdade passou e entramos no Carnaval de mentira, que durará até "sabe-se lá quando". Hmmm... Talvez não seja bom, mas já é o suficiente para eu sair do meu estado de tristeza e retornar às minhas atividades normais. Aproveitem a obra e até breve!
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Ficha Técnica: Pernambuco falando para o mundo (1998)
Mais informações: Antonio Nóbrega

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Milton Nascimento: Caçador de mim (1981)

A voz do Brasil...
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Ao contrário do que alguns possam pensar, esta postagem não é sobre aquele noticiário transmitido nas rádios brasileiras às 18 horas. (Na verdade, faz tempo que não escuto rádio que nem sei se ainda encontra-se no mesmo horário).
Bem... Isso não importa! O texto de hoje pretendia discorrer, de modo breve, a respeito daquela voz que poderia ser considerada a voz mais bela do Brasil. Obviamente, esta não é uma tarefa fácil, uma vez que há muitas opções, sejam homens ou mulheres. Mas esse seria apenas o primeiro dos problemas; inclusive, admito desde já que minhas reflexões falharam.
Mesmo assim, colocarei meu trajeto até o fracasso... Após muito refletir, reduzi as possibilidades a apenas seis opções. Entre as vozes masculinas: Milton Nascimento, Tim Maia e Nelson Gonçalves; entre as femininas: Elis Regina, Maria Bethânia e Marisa Monte. Mas, eis que surge aquela velha questão: eu não estou cometendo alguma injustiça? Não estaria esquecendo outros grandes cantores? Sem dúvida... Muitas vozes excelente foram esquecidas.
Tentei fingir que estava tudo bem e continuei minha "pesquisa". Apesar de tudo, a escolha ainda continuou difícil. Na verdade, faltaram critérios para tomar a decisão; não consegui encontrá-los. Que critério considerar para eleger a melhor voz do Brasil? É possível afirmar que a voz de Tim Maia é melhor do que a de Elis Regina? Baseado em que se pode dizer isso?
Tentei driblar tal problema mais uma vez. Todavia, após um bom tempo buscando uma solução, percebi que toda minha reflexão, desde o início, tendia ao fracasso. Eu não possuía critérios para afirmar sequer que os seis artistas acima citados estão entre os melhores cantores do país. O único parâmetro estabelecido para isso foi o meu próprio gosto.
Para não jogar toda minha reflexão no lixo, optei por resolver a questão através de um método totalmente subjetivo. Decidi postar o artista cuja voz mais me agrada e, até o momento, não possui nenhuma outra semelhante: Milton Nascimento. E o álbum? Aquele que contém uma das mais belas canções já escritas, consagrada na voz do cantor mineiro, e que recebe o mesmo nome da música em questão: Caçador de mim.
É interessante observar que, embora considerado um dos maiores expoentes da música mineira, Milton Nascimento nasceu no Rio de Janeiro. Todavia, foi adotado e mudou-se para Três Pontas, Minas Gerais, ainda criança. Foi lá onde iniciou sua carreira musical, contando com muitos outros grandes músicos daquele estado, como Lô Borges e Flávio Venturini. Por isso, seu trabalho reflete muito mais a cultura mineira do que a fluminense.
Caçador de mim foi gravado em 1981, quando o cantor já havia se tornado bastante famoso no Brasil e no mundo. O disco contém dois de seus maiores sucessos: 'Caçador de mim' e 'Nos bailes da vida'. Outros destaques são: 'Cavaleiros do céu', uma versão em português da canção 'Riders in the sky', de Stan Jones, 'De magia, de dança e pés', do próprio Milton Nascimento, e 'Notícias do Brasil (Os pássaros trazem)', em parceria com Fernando Brant. No entanto, recomendo acima de todas a faixa-título, já citada acima. Nenhum outro intérprete chegou próximo à interpretação presente neste disco; apesar de haver outras boas versões da canção, a versão de Milton Nascimento é incomparavelmente melhor. Sua voz parece encaixar-se perfeitamente com a letra. E... Não tem como descrever mais do que isso. Eu apenas sinto...
Bem... Essa foi a história do meu fracasso. Talvez um dia, quando tiver mais tempo, eu faça uma pesquisa melhor sobre tal tema. Por enquanto, aproveitem esta belíssima voz e esta excelente obra! Até a próxima!
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Ficha Técnica: Caçador de mim (1981)
Mais informações: Milton Nascimento

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Clayber de Souza: Uma gaita na bossa (1997)

Por onde andará Humberto Clayber?
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Quem lê os textos que escrevo desde que iniciei o Jossa Blog já ouviu falar bastante de Humberto Clayber. Considerado um dos melhores baixistas do período do samba-jazz, compôs o Sambalanço Trio e o Sambrasa Trio. Também comentei a respeito de tal músico quando postei o álbum Bossa nova, nova bossa, de Manfredo Fest, do qual o artista também participa.
Não sei se todos prestaram atenção à qualidade de sua música. De qualquer forma, não foi sem razão que Clayber foi considerado um dos melhores daquele período. As bases que produz são perfeitas e fundamentais para o sucesso dos grupos que participou. Todavia, uma questão me intrigou desde a primeira vez que ouvi uma de suas obras.
Considerando os dois principais grupos do qual fez parte, já citados acima, sabemos o que ocorreu com todos os outros membros, exceto com o baixista. Cesar Camargo Mariano seguiu sua carreira musical, tornando-se um dos maiores arranjadores e produtores do Brasil; casou-se com Elis Regina, com que teve dois filhos: Pedro Mariano e Maria Rita. Airto Moreira casou-se com Flora Purim; foram para os Estados Unidos, alcançaram grande fama e tiveram uma filha: Diana Booker. Hermeto Pascoal foi consagrado como um dos maiores multi-instrumentalistas do mundo, fez trabalhos com quase todos os grandes músicos do planeta e ainda hoje contagia o público com suas loucuras musicais e não-musicais. E Humberto Clayber? Por onde ele anda?
Cismado com tal situação, iniciei uma pesquisa pela internet. Vasculhei um número enorme de sites a procura de alguma notícia, qualquer informação sobre seu paradeiro. Quando já estava perdendo as esperanças, encontrei o seu site oficial. (Hmmm... Talvez alguns se perguntem porque o Google não detectou facilmente o site oficial do artista. Eu explico. Em minhas buscas sempre utilizava as palavras-chave "Humberto Clayber". O problema é que o artista em questão mudou o seu nome de apresentação para Clayber de Souza. Portanto, seu site oficial só apareceu mais ou menos na décima página de pesquisa).
Mas, o que aconteceu com ele? Bem... Apesar de ser considerado um dos melhores baixistas do samba-jazz, parece que tocar contrabaixo não agradava mais o músico. Desde a década de 80, não há referências sobre este realizar tal atividade. Largou totalmente o baixo, dedicando-se a uma paixão antiga: a gaita.
Clayber aprendeu gaita antes mesmo do instrumento de cordas. É apontado como um dos primeiros divulgadores da harmônica no Brasil, na década de 1950. Se prestarem atenção a algumas músicas de Em Som Maior, do Sambrasa Trio, perceberão que aparece uma gaita em certos momentos. Algumas pessoas acreditavam que seria Hermeto Pascoal que tocava tal instrumento, mas sempre foi Humberto Clayber.
Provavelmente, alguns podem pensar que tal mudança seria insensata, visto que o músico tinha grande prestígio como contrabaixista. No entanto, se ele era de fato apaixonado pelo instrumento não seria problema se tornar um dos melhores também em tal atividade. Correto? Bem... Pode até ser que não. Mas, nesse caso, foi o que aconteceu. Apesar de ser um anônimo para a maioria, Clayber de Souza é considerado um dos dez melhores harmonicistas do mundo, tendo capacidade de tocar até seis gaitas simultaneamente. (Não me perguntem como ele faz isso...).
Não entendo muito a respeito de gaita, portanto nem poderia dar maiores informações sobre as técnicas empregadas em suas músicas. Mas isso não importa! O que interessa é que Uma gaita na bossa, o álbum aqui apresentado hoje, é muito agradável aos ouvidos. O disco inclui versões dos maiores hits da bossa nova, jazz e blues. Todas as canções, porém, foram arranjadas, pelo próprio Clayber de Souza, em ritmo de samba-jazz, lembrando os velhos tempos do artista.
As versões de 'Vivo sonhando', de Tom Jobim, e 'Nica's dream', de Horace Silver, são excelentes. Todavia, dou maior destaque a outras duas: 'Autumn leaves' e 'Manhã de carnaval'. A primeira, convertida de blues para samba-jazz, mantém uma tristeza típica do blues ao fundo, mas combina-a perfeitamente com uma alegria oriunda do samba; uma fantástica reinterpretação! A segunda corresponde à melhor versão de 'Manhã de carnaval' que já ouvi até hoje. Muito, muito linda!
Por fim, gostaria de dedicar esta postagem ao amigo Kleber Kyrillos, organizador do blog El greco e grande admirador da gaita. Aproveito ainda para recomendar a todos o seu site: textos interessantes e muita música, especialmente a banda Focus. Quem não conhece este grupo precisa frequentar o blog do rapaz... Eu assino embaixo!
Grande abraço a todos!
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Ficha Técnica: Uma gaita na bossa (1997)
Mais informações: Clayber de Souza

domingo, 24 de janeiro de 2010

Djavan: Coisa de acender (1992)

Apenas idéias soltas...
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Não tenho muito o que falar hoje. Na verdade, até tenho, mas penso que não é momento certo. Preciso antes fazer uma preparação para o assunto que gostaria de discorrer. Assim, é com a finalidade de satisfazer tal objetivo que realizo esta postagem. Portanto, não esperem nada além de algumas idéias soltas ao longo deste texto.
De qualquer modo, tenho uma novidade em relação à organização do Jossa Blog. Conforme prometido na primeira postagem do ano, organizei uma série de etiquetas (tags) por artistas. Todavia, devo ressaltar que a organização do índice não ocorre de forma usual.
Em geral, os blogs sobre música organizam suas obras conforme os artistas em foco, ou seja, indicando apenas o nome daqueles cujos nomes aparecem na capa dos álbuns. Aqui, porém, pretendo fazer um índice um pouco mais profundo. Nele estarão os nomes dos artistas principais. No entanto, também listarei os músicos "coadjuvantes", que participam das obras aqui apresentadas, sejam instrumentalistas, arranjadores ou convidados especiais. Obviamente, para que a série de etiquetas não fique muito extensa e complicada, apresentarei apenas os músicos que tenham suas obras solo já apresentadas. Também devo destacar que estão listados somente artistas brasileiros, visto que o blog tem como foco destacar tais artistas.
Vejamos um breve exemplo a fim de não restar dúvidas. Em setembro do ano passado, disponibilizei Em Som Maior, do Sambrasa Trio, cujos componentes são Hermeto Pascoal, Airto Moreira e Humberto Clayber. Em seguida, apresentei Slaves Mass, de Hermeto Pascoal. Os outros dois componentes do grupo ainda não tiveram obras solo disponibilizadas. Assim, até serem disponibilizadas obras dos outros dois artistas, constará no índice apenas o nome de Hermeto Pascoal e do grupo Sambrasa Trio.
Outro exemplo para esclarecer outra questão. Em outubro, fiz uma postagem sobre Onze sambas e uma capoeira, de Paulo Vanzolini, cujo arranjador é Toquinho. Assim, ao clicar na etiqueta referente a Toquinho, encontrar-se-á também a obra citada acima, embora este músico não participe diretamente dela.
Espero ter sido claro. Qualquer dúvida, podem perguntar.
Passemos, então, a falar sobre o álbum hoje apresentado: Coisa de acender, de Djavan. Indico esta obra por dois motivos. Primeiro, porque pretendo preparar uma postagem futura; em breve, pedirei que os seguidores deste blog retomem este disco e ouçam-no de modo diferente. Segundo, porque é um álbum muito bem trabalhado.
Aproveitando a situação, desviando rapidamente o assunto, observei há um bom tempo que poucos homens gostam de Djavan. Acredito que somente uns 10% da população masculina brasileira costuma ouvir o artista em questão. Por que será? Sinceramente, nunca entendi tal situação. Além disso, dentre estes 10%, acredito que 90% ouvem-no apenas para fazer frente diante das mulheres, uma vez que rola o boato que aquele que toca Djavan no violão consegue ficar com a mulher desejada. Se eu estiver certo, apenas 1% da população masculina aprecia de fato o trabalho do cantor.
Mas, voltando ao álbum... Gravado em 1991 e lançado no ano seguinte, Coisa de acender consiste em uma das maiores obras do cantor alagoano. Ela representa a criação de um novo estilo de MPB, influenciado pelo funk, que dá ao trabalho de Djavan um rosto próprio. Além disso, ela contém alguns de seus maiores sucessos, como 'Se...' e 'Linha do Equador'. Mas, obviamente, este último fato é uma mera consequência da qualidade do trabalho. Este conta com alguns dos melhores músicos do Brasil e... (Ops! Chega! Vou acabar falando demais... Deixemos para a postagem futura).
Entre as nove faixas, destaco o hit 'Boa noite', que carrega as principais características do estilo de música de Djavan, 'Andaluz', uma parceria com Flávia Virgínia, apresentando influências ibéricas e africanas, e 'Alívio', uma parceria com o contrabaixista Arthur Maia, que participa de toda a obra. As outra canções também são muito boas e bem trabalhadas, embora algumas já estejam saturadas devido ao grande número de exibições pela mídia.
Espero que gostem da obra. Se não gostarem, espero mudar suas opiniões futuramente, quando solicitarei que ouçam novamente este álbum. Ah... E se alguém puder me esclarecer o porquê de poucos homens gostarem de Djavan, eu também agradeço. Já ouvi algumas razões, mas gostaria de saber os motivos de cada um. E, se algum homem que acompanha este blog gostar de Djavan, por favor, comente também. De repente, eu posso estar errado quanto a essa idéia; de repente, eu posso ter pesquisado pouco. Quem sabe!?
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Ficha Técnica: Coisa de acender (1992)
Mais informações: Djavan

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Noise Viola: Noise Viola (2007)

Minha maior descoberta em 2009.
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Após duas postagens falando mal de tudo e de todos, vamos dar uma pausa e partir para um momento mais construtivo. Afinal, falar mal do mundo também cansa... Assim, discursarei hoje a respeito de minha maior descoberta musical no ano passado.
Como comentei há algumas semanas, passei um bom tempo afastado das novidades musicais, escutando somente aquilo que eu já conhecia há anos. Ano passado, porém, voltei a pesquisar sobre as novidades do Brasil e do mundo. Muitas foram as descobertas. Algumas já foram disponibilizadas no Jossa Blog; outras ainda estão por vir.
De qualquer modo, é incrível a quantidade de artistas competentes no Brasil. Uma única vida é insuficiente para dar conta de tudo. Somente na segunda metade do ano passado, período em que iniciei minha busca por novidades, posso garantir a descoberta de, no mínimo, vinte artistas e grupos desconhecidos ou esquecidos pelo tempo. E vale ressaltar que não estão incluídos nesse grupo artistas que eu já conhecia, como Rosinha de Valença, Paulo Vanzolini ou Flora Purim. Falo de músicos totalmente novos para mim, ou seja, que até então jamais havia escutado.
Logo de início, tive a oportunidade de ouvir diversos grupos do período do samba-jazz: Manfredo Fest, Hector Costita, Sambrasa Trio, Sambalanço Trio etc. Fiquei encantado com a riqueza musical destes e escutei-os diariamente durante um bom tempo. (Na verdade, ainda hoje, meses depois, ouço-os com frequência). Com certeza, tais grupos foram uma das melhores descobertas que realizei em 2009.
Mas a vida é uma caixinha de surpresas... Ainda havia muito por vir, embora só restasse alguns meses para finalizar o ano. Então, em outubro, descobri o Rivotrill, já postado anteriormente. Achei fascinante a fusão de ritmos da banda: rock progressivo e maracatu, jazz e baião. Combinações que até então poderiam ser consideradas impossíveis, passam a ser perfeitamente conciliáveis no trabalho do trio recifense. Desse modo, apesar de admirar bastante os artistas do samba-jazz, considerei tal banda como a melhor descoberta do ano.
Sem dúvidas, Rivotrill estaria nesta postagem, se 2009 tivesse acabado na metade de dezembro. Mas isto, obviamente, seria algo contraditório. Esses quinze dias a mais foram suficientes para que eu conhecesse outro trabalho maravilhoso, que me faria mudar de opinião mais uma vez: Noise Viola.
Faltando duas semanas para o Reveillon, entrei em contato com o guitarrista Fred Andrade a fim de adquirir todas suas obras já gravadas. (Geralmente, comprar CD's com os próprios artistas é mais barato do que nas lojas. É também mais agradável, visto que se pode trocar umas palavras com eles e ainda ganhar um autógrafo no disco). Encontramo-nos no Conservatório Pernambucano de Música, onde ele ensina, e fizemos a negociação. Dentre os vários álbuns que comprei com ele, encontrava-se o do grupo Noise Viola. Embora já conhecesse um pouco do trabalho solo de Fred Andrade, não havia escutado ainda sua "nova" banda. Ao pedir mais informações sobre os projetos do grupo, o guitarrista convidou para um show que faria na semana seguinte e fez muitos elogios sobre o próprio trabalho. Achei que havia um certo exagero em seus comentários; sinceramente, pensei que ele estava apenas tentando "vender o peixe".
Ao chegar em casa, pensei: "Vamos ver onde Fred exagerou". Coloquei o CD para tocar. Cheguei a conclusão de que as palavras do guitarrista não chegavam a descrever nem metade do conteúdo do álbum. Fiquei tão impressionado com o som da banda que, embora estivesse gripado, com a garganta irritada e tossindo o tempo todo, não hesitei em ir para o show do Noise na semana seguinte. Eu tinha que vê-los ao vivo!
Embora o primeiro álbum do grupo tenha sido lançado em 2007, Noise Viola iniciou seus trabalhos quatro anos antes. Durante os primeiros anos, contava com Fred Andrade, Paulo Barros, Breno Lira e Tomás Melo. Suas músicas apresentam uma combinação cuidadosa da música erudita com ritmos nordestinos, tais como coco, maracatu e frevo. Infelizmente, pouco depois do lançamento da obra aqui apresentada, Breno Lira e Tomás Melo se afastaram. No entanto, a banda continuou seu trabalho com nova formação, inclusive expandindo o grupo ao acrescentar um baixista e mais percussionistas.
As doze faixas de Noise Viola são excelentes! Trata-se de mais uma daquelas obras que fico em dúvida se faço destaques ou não, com medo de cometer alguma injustiça. Mas, arriscar-me-ei mesmo assim. Destaco 'Violado', de Breno Lira, 'Maracatu bonito', de Fred Andrade, e a regravação de 'Nino, o pernambuquinho', de Maestro Duda. Porém, há duas que coloco no topo das recomendações: 'Baião pro Noise', com uma perfeita permuta de solos, ou melhor, um diálogo entre guitarra e viola, e 'Espelho cego'. Esta última considero a melhor de todas; uma música minuciosamente trabalhada, mas não a ponto de apagar o sentimento da canção.
Por fim, gostaria de anunciar que, conversando com Fred Andrade e Paulo Barros, fui informado que o Noise Viola está com mais uma obra prestes a ser lançada, faltando apenas os últimos retoques. A promessa é que esse novo trabalho sairá ainda no início deste ano e, segundo Fred, será melhor do que o primeiro. Bem... Se será melhor mesmo, não sei; preciso ouvir para dizer isso. Mas, após confirmar que a propaganda do guitarrista sobre o álbum aqui apresentado não foi exagerada, acredito que há grandes chances de tal fato ocorrer. Aguardemos...
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Ficha Técnica: Noise Viola (2007)
Mais informações: Noise Viola

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Caetano Veloso: Caetano... muitos carnavais... (1977)

É Carnaval!
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Mais um ano começando e, no Brasil, virou o ano, já é Carnaval! E 2010 promete muito em relação a isso! Muitos podem achar que estou me adiantando demais; outros que estou difamando o país. Mas, sejamos sinceros: eu não estou inventando nem aumentando nada.
Na verdade, neste país tal evento acontece o ano inteiro. Não é sem razão que somos conhecidos internacionalmente como "o país do Carnaval". Mal começa o ano, todos já pensam como irão comemorar tais festas: em Recife e Olinda ou em Salvador ou no Rio de Janeiro ou sabe lá em que lugar mais.
Passado o período, há ainda as festas pós-carnavalescas. Lembro-me de certa ocasião, em meados de abril, em que estava na fila de um dos bancos da cidade e, para distrair os clientes (visto que a demora seria grande), o estabelecimento deixava uma TV ligada. De repente, começou o Jornal Hoje e é anunciada uma das primeiras manchetes: "Salvador continua em clima de Carnaval!". Em abril!? Como é que pode!? E isso não foi um ano perdido. Sejamos realistas...Todos sabemos do que eu falo...
E, como se não bastasse, diversas cidades do país ainda inventaram os carnavais fora de época, as chamadas micaretas, que incrivelmente atrai multidões e tira a paciência daqueles (como eu) que têm muitas outras coisas a fazer ao longo do ano. Felizmente, não moro perto dos locais onde ocorrem estas festas, mas já passei por situações do tipo e sei como são irritantes.
Para completar, este ano teremos a Copa do Mundo na África do Sul, mais um motivo para festas dionisíacas. E, há dois anos, já foi anunciado que o Brasil sediará a Copa de 2014, outro motivo para continuar as comemorações. Resumindo, em tudo o brasileiro vê motivo para comemorar com eventos carnavalescos e, sinceramente, acredito que mais festas do que em 2010 somente daqui a quatro anos, por razões óbvias e já explicadas acima.
Portanto, deixando-se levar pela onda, é desse modo que o Jossa Blog começa o ano: em clima de Carnaval! E, como forma de expressar tal estado de espírito, apresento um excelente álbum relacionado à festa em questão: Caetano... muitos carnavais...
Repleto de sucessos, o disco apresenta uma série de marchas e frevos compostas, em sua maioria, pelo próprio Caetano Veloso. Embora lançado em 1977, algumas das músicas do álbum, como 'Chuva, suor e cerveja', 'A filha da Chiquita Bacana' e 'Atrás do trio elétrico', tornaram-se canções obrigatórias nos shows do artista e ainda hoje, mais de trinta anos depois, são bastante pedidas nos carnavais do país.
Além das faixas supracitadas, destaco 'Muitos carnavais' e 'Qual é, baiana?', compostas pelo próprio intérprete, e as regravações dos sambas 'Hora da razão', de Batatinha e J. Luna, e 'Guarde seu conselho', de Luís de França e Alcibíades Nogueira.
Pois é... Espero que este álbum ajude-os também a entrar no ritmo do Carnaval brasileiro. Por fim, aproveito para lembrar que o Jossa Blog continuará a trazer muitas novidades ao longo de todo este ano: excelentes obras, artistas novos e desconhecidos e, é claro, muitos comentários inúteis. A propósito, coloco a partir de hoje uma seção de etiquetas, tags, com postagens em série, a fim de que os interessados em ler o que escrevo possam melhor seguir os meus raciocínios. Em breve, pretendo fazer outras seções. Porém, um passo de cada vez...
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Ficha Técnica: Caetano... muitos carnavais... (1977)
Mais informações: Caetano Veloso

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Tribalistas: Tribalistas (2002)

Feliz Ano Novo!
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Olá, pessoal! Em cima da hora, faço a última postagem do ano; faltando apenas alguns minutos para acabar 2009 e começar 2010. Aproveito, então, para desejar a todos um ótimo ano novo e que este próximo seja bem melhor que o anterior, embora não entenda exatamente o sentido de tanta comemoração.
Falemos sinceramente... Por que a necessidade de se comemorar a passagem de ano? Tudo bem... Simboliza um período de mudança, transição etc. Mas, exatamente por essa simbolização, tal data, ao meu ver, não merecesse ser comemorada.
Provavelmente, muitos podem estranhar tais palavras. Mas a questão é que as pessoas acabam se prendendo a idéia de que o momento de mudar é no dia 1º de janeiro: alguns param de fumar (e voltam meses depois), outros dizem que tomarão um rumo na vida etc. Milhares são as promessas de fim de ano. Por favor... Se queremos mudar, não precisamos esperar uma data; devemos tentar diariamente.
Além do mais, a simbologia do Reveillon é falsa. Nunca perceberam isso? Todos os anos comemoramos a mudança, encontramos as pessoas que gostamos e Copacabana tenta bater o recorde de quantos minutos consecutivos queima fogos de artifício. Ou seja, fazemos o mesmo todos os anos. Logo, a celebração do Ano Novo, ao contrário do que propõe, não passa de uma conservação. É uma tradição, um vínculo com o passado; não é um olhar para o futuro. É apenas o dia de sonhar que mudaremos. Um sonho que temos uma vez no ano, todos os anos.
Mas, deixemos isso pra lá. No fundo, nada disso importa. O importante é que cada um faça o que goste nesse dia (e em todos os demais do ano) e seja feliz. Além disso, eu quero realizar esta postagem antes que o ano termine. Então, deixemos isso de lado e vamos a minha última recomendação do ano: Tribalistas.
Talvez esta obra fosse mais recomendada para o Natal, visto que possui a canção 'Mary Cristo', que remonta ao nascimento de Jesus. Mas eu não quis postá-la próximo àquela data. Preferi torná-la uma obra para encerrar o ano por razões pessoais. Uma vez que o álbum foi lançado no final de 2002 e o Brasil inteiro o escutava naquele período, todo final de ano eu relembro tal obra e escuto-a como se fosse a primeira vez. Este ano, então, compartilho este momento com todos.
De fato, a obra foi muito bem produzida e as canções e letras muito bem trabalhadas, permitindo que possam ser reinterpretadas diferentemente a cada execução. Confesso que todos os anos, eu tenho sensações diferente aos ouvir este álbum.
O resultado não é de se estranhar... Penso que esta é uma das melhores parcerias da música brasileira nos últimos anos. Temos três grandes artistas interagindo e complementando-se: a poesia de Arnaldo Antunes, a voz de Marisa Monte e a percussão de Carlinhos Brown. Juntos, esses três pontos parecem entrar em total sintonia, tornando Tribalistas uma obra fascinante.
Entre as canções do álbum, 'Velha infância' e 'Já sei namorar' tocaram nas rádios até tirar nossas paciências. Deixemo-nas de lado, então. Afinal, as demais canções também são muito boas. Destaco 'Carnavália', 'É você' e 'Pecado é lhe deixar de molho'. A canção natalina citada acima também é interessante. (Entretanto, prefiro Lula Queiroga cantando a paródia 'Mary Money'. É cômico! Infelizmente, não encontrei nenhum vídeo dele cantando tal música. Se encontrar, coloco por aqui).
Bem... Não vou me prolongar mais. Como eu disse anteriormente, quero fazer tal postagem antes da virada do ano. E, deixando tudo o que eu falei de lado e entrando no clima de incosciente reconexão com o passado, desejo a todos um Feliz Ano Novo! Grande abraço! E até 2010!
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Ficha Técnica: Tribalistas (2002)
Mais informações: Tribalistas

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Rivotrill: Curva de vento (2008)

Expanda seus conhecimentos musicais, parte 4: "Pesquisa cega".
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Finalizando a série de postagens sobre como expandir conhecimentos musicais, apresento mais um método de busca, a "pesquisa cega".
Como o próprio nome já diz, este método consiste em uma busca sem nenhuma referência, no meio de bastantes outras obras, sem nenhuma garantia de que se encontrará algo interessante. Em outras palavras, trata-se de procurar uma agulha no palheiro.
É... Talvez não valha muito a pena. Pode ser um trabalho extremamente desgastante e sem resultados. Por outro lado, imagine a alegria de encontrar uma agulha no palheiro. E, se além disso, a agulha for preciosa?
Resumindo, geralmente a "pesquisa cega" parece uma perda de tempo, uma empreitada sem sentido. De fato, é muito trabalhosa: exige tempo disponível e muita paciência. Pois, certamente, antes de encontrar um artista admirável, será necessário passar por uma série de obras irritantes. Contudo, uma vez que o trabalho tem resultado, toda a parte ruim parece ser compensada.
Mas, como realizar tais buscas? Bem... Há basicamente dois modos. O primeiro é vasculhar alguns sites onde qualquer artista pode se cadastrar e disponibilizar sua obra. De um por um, escutar as músicas colocadas pelos músicos. (Pois é... Como eu disse, haja paciência). Entre os vários sites desse tipo, posso citar Palco MP3 e MySpace. O segundo modo foi o que eu utilizei para descobrir a banda que apresento hoje.
Neste ponto, gostaria de fazer um breve comentário. Talvez alguns estranhem a forma como conheci este grupo. De fato, a banda já tinha uma certa repercussão no país quando a conheci. Porém, passei um bom tempo afastado da música, ouvindo quase que somente o que eu já conhecia. Somente há alguns meses, decidi retornar de modo mais profundo ao meio musical e passei a me informar mais sobre novos artista, talentos esquecidos etc. Mas voltemos a minha história...
Certo dia, estava em casa sem nada para fazer e com algum dinheiro sem ter com o que gastar. (Ocasião rara! Por favor, não pensem que isso é comum). Decidi, então, ir a uma das lojas de CD da cidade para comprar alguma obra interessante que encontrasse por lá. Certamente, não tinha garantia de que encontraria nada de novo e interessante. Afinal, tais estabelecimentos possuem todo tipo de álbuns, bons e ruins. Sendo sincero, mais ruins do que bons. Mesmo assim, fui olhando as obras de uma por uma; as que eu já tinha ou já conhecia, passava mais rápido; as que eu não possuía, dava uma olhada mais atenciosa. Se parecesse interessante, escutava um pouco.
Passei um bom tempo fazendo isso. Em certo momento, meus olhos bateram em um dos CD's. Adorei o desenho da capa: simples, mas ao mesmo tempo expressivo. Perguntei ao vendedor que tipo de música aquela banda tocava (também gosto de conversar com os vendedores sempre que possível) e ele, após muitos elogios, colocou para tocar na loja. Minha reação ao ouvir: fiquei encantado!
Foi assim que eu conheci a maravilhosa banda Rivotrill. E hoje, a fim de compartilhar o meu encanto com todos, o Jossa Blog disponibiliza Curva de vento, o primeiro, e único até agora, álbum da banda em questão.
O Rivotrill surgiu em 2006, na cidade de Recife. Formado por três músicos novos, porém experientes, o grupo funde ritmos regionais com rock progressivo e jazz. Obviamente, esta parece ser a base de grande parte da música pernambucana. No entanto, apesar de já ter visto muitas dessas misturas, garanto que as combinações realizadas por esta banda é incomparável. Imaginem uma batida de maracatu combinada com a flauta de Ian Anderson, do Jethro Tull. Aparentemente, soa algo bastante estranho; incompatível, talvez. Mas, se duvidam que é possível, basta ouvir as canções do álbum e, sem dúvida, seus conceitos irão mudar.
Apesar de lançado em janeiro de 2008, Curva de vento foi gravado quase um ano antes, em março de 2007. Para realizar tal façanha, seus membros e uma equipe técnica se uniram em uma casa, localizada em Itamaracá, litoral de Pernambuco, espalharam microfones por toda a residência e, aos poucos, cada um dos integrantes foi encontrando o melhor ambiente para tocar cada uma das músicas: quarto, área de serviço, banheiro. Alguns destes locais chegam a ser difícil de acreditar, mas não impossíveis: dentro da caixa d'água ou embaixo da escada. Ao final da gravação, a obra foi mixada em estúdio, processo que demorou longo período... Demorou, mas valeu a pena!
O álbum conta ainda com a participação de músicos como Naná Vasconcelos e o maestro Spok, que dão um toque especial a algumas músicas, embora não fosse realmente necessário. Somente o trio já era suficiente. A prova disso foi o show de lançamento do álbum, que lotou o Teatro Santa Isabel e, após mais de duas horas de apresentação, toda a platéia aplaudiu o grupo de pé, pedindo bis. Com certeza, não foi sem motivos: Curva de vento é sensacional! Uma das melhores obras já realizadas!
Talvez, tudo que eu falei sobre o grupo neste texto pareça bastante exagerado. Neste caso, peço-lhes que tirem suas próprias conclusões e, se realmente acharem que há exagero de minha parte, comentem. Ouçam a obra e apreciem o quanto puderem, pois (aproveitando o trocadilho já feito muitas vezes, porém ainda válido) Rivotrill não tem contra-indicação.
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Ficha Técnica: Curva de vento (2008)
Mais informações: Rivotrill